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Os Sacrifícios aos Deuses Modernos

  • Foto do escritor: Carlos Alexandre Ramos
    Carlos Alexandre Ramos
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Na antiguidade, quando o ser humano ainda não compreendia algumas das leis da natureza que atualmente compreendemos e a superstição ocupava o espaço vazio deixado pela falta de conhecimento, fazia sacrifícios sangrentos aos deuses imaginados. Ofereciam-se animais e até mesmo vidas humanas, na esperança de obter proteção, abundância, fertilidade, sucesso ou perdão.


Eram estas as relações de causa e efeito em que se acreditava, e eram estas crenças que sustentavam a repetição vã dos sacrifícios numa tentativa desesperada de negociar com o desconhecido, para conseguir a sobrevivência num universo que parecia caótico e ameaçador.



Hoje, vivemos em tempos supostamente muito mais esclarecidos. Já não oferecemos os nossos filhos em altares de pedra, mas será que os sacrifícios irracionais realmente terminaram?


A verdade é que muitos continuam a sacrificar o que há de mais valioso — a vida dos outros, a sua própria vida, a sua própria saúde, os afetos, os vínculos familiares, o tempo — em nome de deuses modernos que também são frutos da imaginação coletiva: o sucesso a qualquer custo, a validação social, a imagem de perfeição, a acumulação de bens, a vaidade, o poder, o desempenho constante.


Sacrificam-se anos de vida, por cargos que não preenchem, por padrões de beleza que não alimentam a alma, por metas externas que foram herdadas, impostas ou copiadas, mas nunca verdadeiramente escolhidas. E tal como os sacrifícios antigos, esses rituais modernos são muitas vezes praticados na mais completa ignorância das verdadeiras leis do bem-estar, da realização pessoal e da felicidade.


Estes são os sacrifícios estéreis da cultura atual. E como todos os sacrifícios sem sentido, não conduzem à transcendência, mas à exaustão. Não elevam, apenas esvaziam. Não produzem paz interior, apenas uma solidão silenciosa, um vazio existencial que se disfarça com produtividade, entretenimento ou anestesia emocional.


Carlos A. R. Ramos




 
 
 

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