Considero que comecei  uma aprendizagem séria, profunda e metódica de meditação em 2006 com o Swami Medhananda em Londres, um Acharia  (monge professor) de uma linhagem tradicional Shaivista, do sul da Índia, discípulo do Paramahamsa Nithyananda.

 

Antes disso, há vários anos que andava a aprender em cursos, workshops e práticas avulsas, mas sentia que apesar de ser tudo muito interessante, e estou grato por tudo o que aprendi, não me dava as respostas nem as experiências que procurava.

 

Os cursos de mestre de Reiki, instrutor de Yoga, Yoga Terapeuta, Hipnoterapeuta, entre outros fazem parte de uma formação importante e necessária, que complementa e enriquece muito do ponto de vista prático e terapêutico o núcleo do auto-conhecimento que acredito que só pode ser adquirido por via das práticas corretas de meditação. 

 

Quando iniciei a aprendizagem tradicional na Índia percebi que finalmente tinha descoberto a fonte do verdadeiro conhecimento. Senti que tinha descoberto finalmente os mestres que detêm a sabedoria há milhares de anos, que há tanto procurava.

 

Quando os encontramos percebemos que os mestres estão sempre disponíveis para nos oferecer tudo o que precisamos, mas devemos estar suficientemente despertos e amadurecidos para pelo menos sermos capazes de os reconhecer e de desejar ir ao seu encontro. Esse momento tinha chegado para mim.

 

A profundidade dos ensinamentos e eficácia das práticas estava a anos de luz de tudo o que tinha aprendido até então. Era tudo muito diferente das abordagens ocidentalizadas das práticas e terapias orientais.

 

Em 2008 decidi mergulhar totalmente nesta tradição e começar a aprender na presença do próprio Paramahamsa Nithyananda que tem um ashram perto de Bengalore no sul da Índia.

 

Tudo mudou. É desnecessário o esforço para tentar colocar em palavras o tipo de transformações e experiências que ocorrem quando temos acesso ao verdadeiro conhecimento, às verdadeiras práticas ancestrais e à presença de um verdadeiro mestre.

Passei por muitas das experiências de despertar, despertar da energia kundalini, samadhi, e de expansão da consciência que até à altura apenas tinha lido em livros que me pareciam muito místicos e falavam de coisas que me pareciam inalcançáveis. Pensava, quando lia esses livros, se tudo não seria apenas um conjunto de mitos antigos e exageros. Sei agora que não.

 

Desde então estudei, aprendi e pratiquei,  como continuo a fazer diariamente, passei por sistemáticas iniciações que fazem parte dos processos tradicionais até me encontrar na posição de começar a ensinar e também fazer terapia.

Após ter sido formalmente iniciado, em 2008 o meu mestre deu-me o nome Jnanaatmaananda que é a união dos nomes Jnana Atman Ananda que significa "alma sábia em felicidade plena". Os nomes dados aos iniciados têm o objetivo de nos lembrarmos da nossa verdadeira essência, e tradicionalmente acabam todos em Ananda que significa felicidade plena, sem razão.

 

Hoje, ensino o que aprendi, numa linguagem atual e local, o que faz parte de um conhecimento ancestral, ensinado, testado e verificado, ao longo de muitas gerações de mestre para discípulo, que tem conduzido todos os que praticam com sinceridade e disciplina ao despertar da consciência espiritual.

 

Depois de descobrir o que descobri, senti um desejo incontrolável de partilhar todo este conhecimento e práticas com o mundo. Não consegui continuar a fazer o mesmo que fazia, repetindo as mesmas rotinas, gerindo os mesmos conflitos,  perseguindo  os mesmos objetivos, como se tudo em mim estivesse na mesma. Depois de despertar não é possível viver da mesma maneira.

 

A antiga vida de engenheiro e empresário foi abandonada completamente e iniciei uma nova aventura onde pela primeira vez senti que o que eu sou podia manifestar-se livremente. Essa foi uma decisão que todos os dias celebro com enorme felicidade.

 

Movido por um sentimento de sincera compaixão por todos os seres vivos, ao assistir a todo o sofrimento desnecessário que as pessoas causam a si mesmas sem consciência, e às outras pessoas e outros seres vivos, sinto-me obrigado a partilhar todo o conhecimento que me foi oferecido que pode por fim a tudo isso.

A chama que me foi transmitida pelo meu mestre, que tem vindo a ser transmitida ao longo de gerações na tradição indiana, posso agora passá-la a outros.

Dedico-me a ensinar coisas simples, como silenciar tudo o que é falso em nós e redescobrir o nosso verdadeiro Eu, que vive num estado de imperturbável paz, felicidade plena, e ligação harmoniosa com toda a existência.

Carlos Ramos (Ātman)